Luke Kaitos e os Cristais de Oz


Luke Kaitos e os Cristais de Oz

Encontro com o Rei do Mundo


CAPÍTULO NOVE

O Rei do Mundo, em seu Palácio Subterrâneo, ora pelo futuro dos povos de toda a Terra. A capital é cercada de sacerdotes e cientistas – ela fica no alto de uma montanha coberta de templos e monastérios.

Ali, em palácios de cristais, vivem os governantes invisíveis de todas as pessoas: o Rei do Mundo Brahtma, que conversa diretamente com Deus, e seus dois assistentes, Mahtma, que conhece o propósito dos eventos futuros e Mahnga, que governa as causas desses eventos. Sem ser visto, o Rei do Mundo governa oitocentos milhões de homens na superfície da Terra, que cumprirão qualquer ordem sua.

O trono do Rei do Mundo é cercado por milhões de deuses encarnados, os Panditas Sagrados, e seu palácio esta circundado pelos palácios dos Goros, que dominam todas as forças visíveis e invisíveis da Terra, do Céu e do Inferno ele pode fazer tudo pela vida e morte dos humanos.

Se a humanidade iniciasse uma guerra contra eles, seriam capazes de explodir toda a superfície do planeta e transformá-la em desertos – podem secar o mar, transformar terras em oceanos e pulverizar montanhas, fazer crescer árvores e ervas rejuvenescer os velhos e ressuscitar os mortos.

O Rei do Mundo aguarda-va a chegada de Luke.

Ainda na cúpula do palácio…

Luke tem centenas de perguntas para fazer, mas o mestre lhe concede apenas o direito a uma.

Ele olha para todos os presentes e se questiona pelo motivo de ser ele o escolhido e não um daqueles seres maginíficos – então pergunta:

“Por que o planeta Terra – qual o objetivo de estarmos aqui?”

Desde que descobriu não ser apenas um simples humano esta questão tem o deixado muito preocupado e temeroso, afinal o porquê de estar ali.

Um silêncio constrangedor toma conta do recinto quando derrepente umas das cinco mulheres levanta-se – ela é a mais velha das mulheres e também aparenta ser a mais sábia.

Com a autorização do mestre ele poem-se em pé em frete a todos os presentes e começa a falar.

“O motivo da escolha do planeta Terra esta fundamentada no equilíbrio do sistema galáctico baseado nas forças do bem e do mal”, responde ela.

“O planeta que você chama de Terra na verdade chama-se Gaia e representa o feminino, ou seja, a força do bem e da unicidade.”

“Assim sendo, o planeta é feminino e foi somente assim por milhares de anos até nosso criador decidir equilibrá-lo criando o homem representando a força do mal e da competitividade.”

“Por favor – não entenda como algo ruim, mas sim um mal necessário que como eu disse equilibraria as forças energéticas nesta galáxia.”

“Ao contrário do que é ensinado em suas mais de uma centenas de dezenas de religiões, credos e culturas regionais, além é claro nas escolas – a mulher e não o homem foi criado primeiro e como pode ter imaginado o sistema era Matriarcal e não Patriarcal visto que o homem ainda não existia.”

“Sei que você tem milhares de perguntas para fazer, mas elas serão respondidas ao seu tempo e este é o objetivo de você estar aqui conosco.”

“Para finalizar quero apenas esclarecer uma questão que todo o ser deste planeta o fez pelo menos uma vez em sua vida e o tem como verdade.”

“Quem é o Diabo?”

“Como você deve estar imaginando, o Diabo é a personificação do mal, contudo a quem é atribuída a sua existência, a Deus?”

“Entendo que toda a humanidade vive este dilema – o Diabo um ser que tudo vê, disposto a corromper o corpo e a alma de homens e mulheres pecadoras.”

“Afinal o que seria o pecado – a moeda de troca do Diabo?”

“Não, esta sociedade vive sobre o regime de uma única lei, o livre arbítrio – que é a garantia de não haver um julgamento inicial e nem final.”

“A vida não lhe parece muito mais simples agora, Luke?

Com um acenar de cabeça Luke concorda com sua argumentação.

“Pois então, ela é.”

“A criação do Diabo é atribuída ao homem e o motivo de sua criação foi plantar no coração das mulheres o temor e o medo e assim tomar o seu reinado…”

Neste estante o mestre  a interrompe e pede a palavra, agradece por seu discurso e retoma as apresentações.

“Agradeço as palavras Jade, por hora é tudo, temos que iniciá-lo ao treinamento que irá esclarecer todas as suas dúvidas e prepará-lo para o que esta por vir”, finaliza ele.

Luke pôde sentir a raiva e o ódio enquanto Jade falava, percebeu que ela teve uma vida triste e rancorosa e mesmo não estando mais no plano físico está dor ainda consome seu espírito.

Talvez, pensa ele – todo este rancor seja o motivo de Jade ser a mais velha entre as mulheres e também entre os homens, pois todos os outros permaneceram com um semblante de calma e ao mesmo tempo receptivos enquanto ela falava.

O mestre dirige-se para uma gigantesca abóboda, desenhado no teto pode ser visto um rosto felino o que o faz lembrar-se de Leona, do Séréti e principalmente do Fumaça, deseja do fundo de seu coração que estejam todos bem e em segurança.

Para a surpresa de Luke, a figura no teto ganha vida e num salto digno do melhor gato – pula até o altar onde agora esta o mestre.

Com um sinal com sua mão ele pede para Luke se aproximar – todos se ajoelham diante da presença de tal figura.

Luke imagina que este é o Rei do mundo, mas por algum motivo que não sabe descrever sinte que não.

Com uma voz que faz tremer toda estrutura da cúpula o grande ser felino se apresenta.

“Olá Luke, meu nome é Atlas eu represento os geneticistas da confederação galáctica e é imenso prazer revê-lo.”

“Como pode ver, todos aqui o conhecem melhor do que você a si mesmo – contudo, isto esta prestes a mudar e por favor desculpe-me por Jade, como viu ela teve problemas em sua última encarnação.”

Com um rugido digno de um leão ele anuncia o início do treinamento – um grande clarão ilumina toda a cúpula e todos os presentes que ali estavam desaparecem restando apenas o mestre e Luke.

“Seu treinamento começa agora e terá a duração de três dias”, diz o mestre enquanto caminha em direção ao altar agora vazio.

O mestre pede que Luke olhe para a fonte e diga o que vê, mas Luke responde que não consegue ver nada além da fonte.

“Luke, enxergue com os olhos de Deus e verá”, diz ele.

Luke imagina o que deve significar isto, ele olha uma vez mais a fonte – desta vez seu olhos a fitam penetrantemente – quando então seus olhos arregalam-se, agora com o dobro do tamanho normal ele pode ver a fina camada que divide a terceira dimensão das demais e fica encantado.

“Venha Luke não tenha medo, esta em segurança”, fala o mestre que ao tocar o vórtice com o dedo é sugado para a o outro lado da imagem.

Luke vai em seguida – ele é levado para o Templo da Luz Eterna onde a chama central nunca se apaga e com ela a consciência da humanidade.

O encontro de Luke com o Rei do Mundo finalmente acontece, ao chegar ao templo ele deslumbra um portal feito com tartarugas agrupadas uma em cima da outra, elas vivem três mil anos sem água e sem comida.

O Rei esta de pé admirando um painel galáctico onde pode ser visto pontos representando planetas habitados no Sistema Solar de Alcione nosso Sol Central.

“Luke, quando você chegou fez uma pergunta a qual eu gostaria de reformular”,  diz o Rei ao virar-se e mostrar sua verdadeira apararência.

Ele parece-se com o antigo Deus Netuno da mitologia grega, de barba e cabelos longos e encaracolados, corpo atlético, em sua mão direita carrega um tridente.

“O planeta Terra não foi escolhido ao acaso, na verdade outros planetas semelhantes estão passando pelo mesmo dilema.”

“Para ser exato, três mil planetas idênticos a Terra estão sofrendo as mesmas interferências.”

“O motivo pela escolha do planeta Terra é que as leis Galácticas determinam que o desenvolvimento de qualquer raça não pode sofrer qualquer interferência – a menos que os próprios seres especificamente convidem outros seres para participar do desenvolvimento de suas vidas e no processo de sua evolução.”

“Mas vamos nos ater aos problemas ocorridos no planeta Terra, local escolhido por seus pais muito antes de você nascer.”

“Este príncipio básico foi desobedecido e outras civilizações mais avançadas estão prontos a iniciar uma guerra para o controle do planeta Terra.”

“Como vê estamos bem no meio deste conflito, agora cabe a você a restauração da paz e a liberdação dos humanos”.

“Estamos quase completamente envolvidos no Cinturão de Fótos do Sistema Solar de Alcione, a energia emitida pelos corpos dos humanos não esta na frequência correta para que emerjamos na nova energia, precisamos de você Luke.”

“Vossa majestade”,  diz Luke.

“Como eu, apenas um garoto terei condições para enfrentar estas forças invisíveis que atormentam a humanidade?”

O Rei esbugalha os olhos que alteram de azul para vermelho sangue e cai em gargalhadas.

“Ha!-Ha!-Ha! – apenas um garoto você é engraçado Luke muito engraçado, a muito tempo não ria assim, hahaha…”

Para o espanto de Luke o Rei do mundo esta gargalhando, percebendo que a conversa com o rei acabou o mestre o conduz para o salão de descanso dos aprendizes.

Enquanto Luke aguarda o sono chegar em sua mente passa um filme com todos os acontecimentos recentes – ele começa a relembrar as aventuras que viveu até agora no anterior do planeta, a euforia acaba quando recorda-se de seus amigos, com muita tristeza ele vira-se e adormece.

Embora não aja noite em Shamballah e ninguem durma, Luke ainda não esta condicionado e é uma exceção.

Concertos em Campos destacam composições de Heitor Villa-Lobos


Peças do brasileiro estiveram em quatro de dez apresentações do 2º fim de semana do 43º Festival

Quarteto Radamés Gnattali, Orquestra do Festival e Sinfônica Municipal de São Paulo foram alguns destaques

JOÃO BATISTA NATALI
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Heitor Villa-Lobos (1887-1959) não escreveu a principal peça de nenhum dos dez programas deste último fim de semana, no 43º Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão. Mas foi interpretado em quatro deles. E de modo exuberante.

O violoncelista Antonio Meneses e o violinista Cláudio Cruz fizeram do compositor, no domingo, “Choro Bis para Violino e Violoncelo”, antes de se juntarem ao pianista José Feghali em récita que terminou com uma preciosidade do do repertório camerístico, o “Trio”, op. 49, de Felix Mendelssohn.

Villa-Lobos também esteve com suas “Bachianas nº 7”, no concerto da Sinfônica Municipal de São Paulo. O resultado, muitíssimo bom, provavelmente reflete o sangue novo da orquestra, com o preenchimento, por jovens, de uma dezena de vagas abertas por aposentadorias.

Mas o maestro Abel Rocha atribui o resultado à “retomada da rotina de trabalho” dos músicos, condenados por três anos a agendas instáveis e ao nomadismo, durante o fechamento para reforma do Theatro Municipal.

O Quarteto Radamés Gnattali fez o “Quarteto nº 3”, (“Pipoca”), que Villa-Lobos escreveu aos 29 anos. É uma peça engraçada, em que as cordas beliscadas pelos quatro músicos em um dos movimentos imita a sonoridade desordenada das pipocas que estouram numa panela.

O Coro de Câmara da Osesp incluiu três canções do compositor, escritas na ultima década de sua vida.

Entre os demais destaques, a Orquestra do Festival, chamada no passado de Orquestra Acadêmica, saiu-se surpreendentemente bem, no sábado, no primeiro de seus três programas até o fim do mês.

Os bolsistas se conheceram na segunda-feira anterior e ensaiaram por somente quatro dias. Mas seus atributos individuais foram bem amarrados pelo maestro britânico Richard Amstrong.

Fizeram Wagner, Dvorak e, com a soprano alemã Suzanne Bernhard, uma leitura de grande delicadeza dos “Rückert Lieder”, de Mahler.

A Camerata Fukuda, habitual padrão de afinação e musicalidade de suas cordas, teve o refinamento de se calibrar à acústica da igreja em que se exibiu por meio da reformulação das marcações de dinâmica (intensidade dos sons), na “Serenata”, op. 48, de Tchaikovski, uma das três peças do programa.

Uma palavra sobre a Orquestra de Metais Lyra de Tatuí, raramente presente na mídia. Não é apenas um projeto social para crianças e adolescentes de escolas públicas, lançado há dez anos por Adalto Soares, ex-trompetista da Osesp.

É um projeto musical de muito boa qualidade. Com 72 músicos em concerto no sábado, nenhum problema de afinação em instrumentos sempre dengosos, como trompas, tubas ou trombones.

A Osesp reapresentou, NO domingo à noite, o “Concerto para Violoncelo Elétrico”, de Enrico Chapela, com o solista Johannes Moser e regência de Marin Alsop. O próprio instrumento é meio inusitado. O público se dividiu entre perplexos e entusiastas. Pelos aplausos, o segundo grupo foi mais numeroso.

Editora Record é condenada em ação de direito autoral


Gravurista Darel Lins processou empresa por uso indevido de ilustrações em livros; não cabe mais recurso

FABIO VICTOR
DE SÃO PAULO

A editora Record foi condenada na Justiça a pagar uma indenização por dano moral e material ao artista plástico Darel Valença Lins num processo de direito autoral.

A ação transitou em julgado no último dia 28, ou seja, não cabe mais recurso.

Darel, como o gravurista é conhecido, recebeu R$ 39,3 mil por dano moral, e a editora terá ainda de pagar pelo dano patrimonial valor a ser estipulado pela Justiça. O advogado de Darel, João Viera da Cunha, calcula essa cifra em R$ 150 mil.

Um dos principais ilustradores do país, Darel reclamou que a Record usou de forma indevida trabalhos dele para dois livros, “São Bernardo”, de Graciliano Ramos, e “Crônica da Casa Assassinada”, de Lúcio Cardoso.

No primeiro caso, Darel fez ilustrações do clássico de Graciliano para a editora Martins. A Record alegou no processo que, na década de 1970, a Martins cedeu a ela os direitos sobre “São Bernardo”.

A editora continuou a publicar o trabalho, na capa do romance, sem repassar os direitos autorais a Darel -e ainda usou a gravura invertida.

No caso de “Crônica da Casa Assassinada”, a Record usou, em edições comemorativas, uma ilustração feita por Darel para a capa da primeira edição, lançada em 1959 pela José Olympio (comprada nos anos 2000 pela Record).

Darel reclamou que isso foi feito sem sua autorização e sem lhe dar o devido crédito de autoria.

A Record perdeu a ação no Tribunal de Justiça do Rio e recorreu ao STJ (Superior Tribunal de Justiça), que negou provimento ao recurso.

Pela decisão, a editora não poderá mais reproduzir as ilustrações do artista em novas edições das obras que venha a publicar.

A editora Record disse que “decisão judicial não se discute, se cumpre. Já retiramos as ilustrações das edições”.

Nascido em Palmares, interior de Pernambuco, em 1924, Darel iniciou a carreira como ilustrador do jornal “Última Hora” em 1953. Conviveu com Goeldi e Giorgio Morandi. Morou por 11 anos na Europa e hoje vive no Rio.

10ª Festa Literária Internacional De Paraty


“Maior mérito foi não crescer demais”

Para Liz Calder, criadora da Flip, aumento do público não tira da festa caráter de celebração íntima da literatura

Editora recorda grandes momentos do evento e comenta nomes que nunca conseguiu trazer, como Carlos Fuentes

ANDRÉ BARCINSKI
CRÍTICO DA FOLHA

O sucesso da Flip parece surpreender a todos, menos à inglesa Liz Calder, uma das fundadoras da festa. Calder não é do tipo que se surpreende à toa. Foi ela, afinal, quem revelou uma então desconhecida autora inglesa chamada J.K. Rowling. Hoje, Rowling vendeu 400 milhões de livros da série “Harry Potter”, e a Flip faz dez anos.

“Acho que o maior mérito da Flip foi nunca ter crescido demais”, diz Calder.

“O nome já diz, a Flip é uma ‘festa’, uma celebração da literatura. O que tem se tornado grande é o público. Mas são sempre 19 eventos na programação principal da Flip, e não 200 ou 300, como em outros festivais. Isso permite que seja mais íntima. Gosto muito do fato de não termos eventos simultâneos.”

Calder revela que já convidou a própria J.K. Rowling, que não pôde aceitar. “Pensando bem, acho que teria sido difícil gerenciar isso”, diz. “Talvez tenha sido um alívio ela não ter aceitado”, completa, antes de cair na risada.

Questionada sobre os momentos mais marcantes dos dez anos da Flip, Calder lembra as leituras de poesias de Ferreira Gullar e Adélia Prado, de Enrique Vila-Matas lendo Fernando Pessoa, o debate com David Grossman, em 2005, e os encontros de Nadine Gordimer e Amós Oz, em 2007, e de Paul Auster com Chico Buarque, em 2004.

“Havia pessoas tentando escalar a tenda para ver Chico de perto, foi caótico”, diz.

Na programação deste ano, Liz Calder diz que está ansiosa pelo debate de Jackie Kay. “O público vai se surpreender muito com Jackie Kay. Já tive a oportunidade de ver um debate com ela, e ela é muito engraçada. Jonathan Franzen está num grande momento e certamente será muito bom vê-lo. Gosto muito também dos livros de Jennifer Egan e Javier Cercas.”

Entre os autores que sempre sonhou trazer a Paraty, mas ainda não conseguiu, Calder destaca Philip Roth, Gunter Grass, Alice Munro, Doris Lessing e Umberto Eco.

E lamenta o fato de Carlos Fuentes ter cancelado três vezes. “Ele era um palestrante maravilhoso, teria sido eletrizante”, diz Calder. “Mas agora ele morreu e tem a melhor desculpa para não vir.”

Livrarias francesas florescem com a ajuda do Estado


Por ELAINE SCIOLINO

PARIS – Ao mesmo tempo em que livrarias independentes nos Estados Unidos e Reino Unido fecham as portas, o mercado de livros na França está de vento em popa. Aqui, parece que a cada livraria de bairro que fecha, outra abre. Entre 2003 e 2011, a venda de livros no país cresceu 6,5%.

Os livros eletrônicos são responsáveis por apenas 1,8% do mercado editorial geral no país, contra 6,4% no caso dos Estados Unidos. Os franceses nutrem uma reverência secular pela página impressa.

“Na França, há duas coisas que não se jogam fora: pão e livros”, explicou Bernard Fixot, proprietário e publisher da pequena editora XO.

Uma explicação ainda mais convincente é a intervenção estatal. O mundo editorial anglófono é regido pelo livre mercado. Na França, o livre mercado dá lugar ao tabelamento de preços.

Uma lei em vigor desde 1981 instituiu o tabelamento de preços dos livros publicados em francês. As livrarias -até mesmo as virtuais- não podem vender livros com descontos superiores a 5% sobre o preço da editora.

No ano passado, enquanto assistiam, horrorizadas, aos e-books corroendo o mercado de livros de papel nos Estados Unidos, as editoras francesas fizeram lobby junto ao governo -com êxito- pelo tabelamento também dos preços dos e-books.

Apesar disso, existem previsões de que a França não estaria fazendo mais do que adiar o inevitável e que as forças do mercado acabarão por prevalecer. Em 2011, 13% dos livros franceses foram comprados na internet.

Um acordo anunciado pelo Google em junho deve permitir que as editoras ofereçam versões digitais de suas obras ao Google para que ele as ponha à venda.

Até agora, as vendas de e-books têm sido fracas na França e em boa parte do resto da Europa, em parte devido a disputas em torno de direitos autorais.

Um estudo do Ministério da Cultura apresentou recomendações para adiar o declínio das vendas dos impressos. Entre elas, limitar o aumento de aluguel de livrarias, criar recursos emergenciais para o setor (a serem fornecidos pelas editoras) e aumentar a cooperação entre o setor livreiro e o governo.

Todo mês, uma operação chamada Circul’Livre (CirculaLivro) toma conta da Rue des Martyrs, ao sul de Montparnasse. Um grupinho de aposentados classifica livros por assunto e os expõe em caixas abertas.

Os livros não estão à venda. As pessoas podem pegar quantos livros quiserem, desde que se pautem por um código informal de honra, comprometendo-se a não vender nem destruir as obras.

Eles são incentivados a deixar seus livros velhos no local, para manter o estoque abastecido.

“Livros são objetos vivos”, comentou Andrée Le Faou, uma das organizadoras voluntárias. “Precisam ser respeitados, amados. Nós lhes estamos dando muitas vidas.”

Livro “Por que Virei à Direita” tem lançamento em SP


Em obra, autores João Pereira Coutinho, Luiz Felipe Pondé e Denis Rosenfield explicam opção pelo conservadorismo na política

DE SÃO PAULO

O jornalista João Pereira Coutinho, o filósofo Luiz Felipe Pondé e o analista político Denis Rosenfield participam hoje, às 19h30, do lançamento de “Por que Virei à Direita”, obra em que os três explicam sua opção pelo conservadorismo na política.

Eles autografam o livro na Saraiva Megastore do shopping Pátio Higienópolis.

Os três autores são articulistas que costumam despertar paixões nos leitores, dada a franqueza com que expõem suas posições.

Coutinho e Pondé são colunistas da Folha. Rosenfield é colaborador em diversos veículos e editor da revista “Filosofia Política”.

Em “Por que Virei à Direita” (Três Estrelas, 112 págs., R$ 25), Pondé sustenta que o pensamento progressista falha ao negar a realidade histórica humana. Coutinho aponta os riscos das utopias socialistas, para ele inatingíveis. Já Rosenfield investiga as doutrinas esquerdistas que têm o Estado como encarnação máxima da moral.

LANÇAMENTO – “POR QUE VIREI À DIREITA”

QUANDO hoje, às 19h30

ONDE Saraiva Megastore do Pátio Higienópolis (av. Higienópolis, 612, tel. 11-3662-3060)

QUANTO grátis

Livro ‘A Dança dos Dragões’, 5º da saga de George R.R Martin, foi recolhido


‘Recall’ de best-seller pode causar prejuízo de R$ 1 mi

Livro ‘A Dança dos Dragões’, 5º da saga de George R.R Martin, foi recolhido

Editora Leya ignorou que 26º capítulo da obra ficou de fora da primeira tiragem, de 150 mil exemplares

ELISANGELA ROXO
DE SÃO PAULO

O livro mais vendido da semana foi recolhido das livrarias anteontem.

O mercado estima que a editora Leya tenha de arcar com um prejuízo de cerca de R$ 1 milhão pela falha.

Tudo isso porque “A Dança dos Dragões”, quinto volume da saga “As Crônicas de Gelo e Fogo”, do americano George R.R Martin, foi publicado no Brasil sem seu 26º capítulo, traduzido por aqui como “O Soprado pelo Vento”.

A Leya não esclareceu o que motivou o sumiço. Para fontes do setor, a pressa pode ter sido a causa do problema.

Os leitores da narrativa de fantasia adulta escrita por Martin aguardavam um livro inédito desde 2005 -ano de lançamento do quarto volume (“O Festim dos Corvos”), publicado aqui pela Leya em fevereiro deste ano.

Lançada nos Estados Unidos em julho de 2011, a nova história começou a ser transposta ao português para o Brasil no fim do ano passado.

As 864 páginas foram traduzidas em aproximadamente seis meses, e o processo de revisão -correção de erros e conferência da edição- durou apenas dois dias.

Os exemplares chegaram às livrarias na última segunda, sem que ninguém da Leya notasse a ausência de dez páginas: o livro foi impresso e distribuído com 854 folhas.

Graças ao alerta de fãs da saga nas redes sociais, na quinta, veio o “recall” da obra, que teve tiragem de 150 mil exemplares – com preço médio de R$ 54,90 cada um.

Apenas na Livraria Cultura, 600 exemplares foram devolvidos à editora anteontem. Sobrou apenas um espaço vazio na prateleira em que estava “A Dança dos Dragões”.

Agora os envolvidos tentam entender em que momento do processo de produção “O Soprado pelo Vento” se perdeu.

Pascoal Soto, diretor-geral da Leya, confirma que o capítulo havia sido traduzido. “Só é perdido no processo de edição algo que existe”, disse.

A coordenação editorial da obra foi terceirizada, da preparação do original até a versão final do texto em português, ao Estúdio Sabiá. A Carochinha Editorial assina a diagramação.

O último arquivo da obra passou por revisão da Leya, que fez o envio para a gráfica.

Em comunicado, a editora assumiu a culpa e informou que houve “falha no processo editorial”.

Uma fonte ligada à Leya, que pediu para não ser identificada, afirma que o Estúdio Sabiá vai arcar com o prejuízo do capítulo perdido.

A reportagem entrou em contato com a empresa de editoração, que preferiu não se pronunciar, por orientação da Leya. Uma funcionária do Estúdio Sabiá, que pediu para ter sua identidade mantida sob sigilo, diz que “nada disso [arcar com o prejuízo] foi discutido em reunião entre as duas partes”.

Também procurado, Diego Rodrigues, sócio da Carochinha, não se manifestou. “O que eu posso dizer é que estamos trabalhando em conjunto para reparar o erro”, afirmou ele.

Os novos exemplares vão chegar às livrarias em 2 de agosto. Quem comprou o livro incompleto vai poder trocá-lo a partir dessa data. Os leitores que não quiserem esperar já podem ler “O Soprado pelo Vento” na internet.

Leia o capítulo perdido

folha.com/no1112557

Algoritmos corrigem redações


Por RANDALL STROSS

Nos Estados Unidos, os exames padronizados do final do ano letivo geralmente incluem uma redação, o que exige a contratação de humanos para avaliar cada texto.

Isso pode mudar. Recentemente, profissionais da ciência da informação e estatísticos amadores participaram de uma competição para desenvolver algoritmos capazes de prever as notas das redações que seriam dadas por avaliadores humanos. Os resultados foram assustadoramente precisos.

A competição foi realizada pelo site Kaggle, que costuma promover disputas para o desenvolvimento de modelos de previsão. O lema do Kaggle é: “Transformando a ciência da informação em esporte”. Alguns dos clientes desse site oferecem prêmios consideráveis em troca da propriedade intelectual usada nos modelos vencedores.

A recém-encerrada competição para algoritmos capazes de prever notas atraiu 159 equipes. Ao mesmo tempo, a Fundação Hewlett, em Menlo Park, na Califórnia, patrocinou um estudo sobre a correção automática de redações, que já é oferecida comercialmente. Os pesquisadores concluíram que a correção automática é, na prática, idêntica a de avaliadores humanos.

Barbara Chow, diretora do programa de educação da Fundação Hewlett, disse: “Ouvimos que os algoritmos eram tão bons quanto avaliadores humanos. Por isso, criamos uma plataforma neutra e justa para avaliar a validade do que diziam os vendedores. Descobrimos que eles não exageraram.

Os algoritmos oferecem um tipo bruto de avaliação. Eles conseguem dar nota à dissertação de um aluno de sétimo ano, por exemplo, mas não consegue comentar o uso das metáforas de um universitário que fez um curso de escrita criativa.

O software reduz drasticamente o custo por redação corrigida. E, ao ser aperfeiçoado, poderá apontar os problemas no texto e oferecer explicações completas e exercícios práticos para resolvê-los.

“Proporcionar ao aluno um retorno imediato a respeito de gramática, pontuação, escolha das palavras e estrutura da frase levará a mais tarefas de redação e permitirá que os professores foquem em habilidades mais elevadas”, diz Tom Vander Ark, chefe e executivo da consultoria OpenEd Solutions, que trabalha com a Fundação Hewlett.

Caberia ainda aos professores julgar o conteúdo das redações, porque os alunos podem ludibriar o software, alimentando-o com absurdos factuais que um humano prontamente reconheceria, mas o computador não consegue.

Jason Tigg, de Londres, membro da equipe que ganhou a competição de correção de redações do Kaggle, é um operador que atua em bolsas de valores e que usa enormes conjuntos de dados sobre preços. Mas o software que ele desenvolveu para avaliar redações usa um conjunto de dados relativamente pequeno e computadores comuns. Assim, o custo adicional em infraestrutura para as escolas é nulo.

Os laptops dos alunos ainda não possuem o incansável instrutor de redação virtual. Mas a melhora dos modelos estatísticos deixa esse dia cada vez mais próximo.

Livro faz análise da influência dos jogos no cinema de Hollywood


DE SÃO PAULO

“Direção de arte, efeitos sonoros e ambientes imersivos nos jogos são tão bons quanto a maioria dos filmes, se não superiores.”

É com essa frase do cineasta Guillermo Del Toro, diretor de “O Labirinto de Fauno”, que começa o livro “Generation Xbox: How Videogames Invaded Hollywood” (“Geração Xbox: Como os Videogames Invadiram Hollywood”).

Jamie Russell, autor do livro lançado em abril, entrevistou mais de cem personalidades do mundo do cinema e dos games para traçar um registro histórico -e um panorama do futuro- da convergência das duas mídias.

“Generation Xbox” terá edição em português em breve, segundo o autor. Por enquanto, a obra, da editora Yellow Ant, está à venda na Amazon por US$ 14,99 (impresso) ou US$ 9,99 (e-book).